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Ranking

Pesquisa 2020 – Ano Base 2019

Com faturamento de R$ 273,5 bilhões, atacado distribuidor cresce 4,5% em 2019

 

Setor movimenta 53% do mercado mercearil nacional, segundo o Ranking ABAD/Nielsen. Expectativa para 2020 é de desempenho equilibrado, com consumo mais racional e voltado para produtos essenciais e de primeira necessidade.

O estudo do Ranking ABAD/Nielsen 2020 – ano base 2019, realizado pela ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores em parceria com a consultoria Nielsen, aponta que o setor atacadista e distribuidor atingiu em 2019 faturamento de R$ 273,5 bilhões, a preço de varejo, revelando uma participação de 53% no mercado mercearil nacional, que é avaliado pela Nielsen em R$ 516,2 bilhões em 2019. É o 16º ano consecutivo em que a participação do setor permanece superior a 50%, reforçando sua abrangência e importância na economia brasileira. No ano passado, o atacado distribuidor registrou crescimento nominal de 4,5% e real de 0,19% sobre o ano anterior. O dado real foi deflacionado pelo índice oficial de inflação (IPCA) calculado pelo IBGE para 2019, que foi de 4,31%.

O Ranking ABAD/Nielsen, publicado desde 1994 pela Revista Distribuição, analisa anualmente os resultados e a atuação dos agentes de distribuição de todo o país, com informações relevantes para orientar planos estratégicos e investimentos do Canal Indireto.

O estudo traz também uma radiografia individual de todas as empresas participantes do Ranking, que neste ano somam 667 respondentes. O faturamento conjunto dessa amostra em 2019 foi de R$ 123,4 bilhões (a preço de varejo), o que equivale a uma significativa fatia de 45,2% do faturamento do setor.

Para Nelson Barrizzelli, coordenador de projetos da FIA – Fundação Instituto de Administração, “o atacado distribuidor continua a desempenhar bem seu papel de levar produtos industrializados de amplo consumo aos mais de 5.500 municípios do país. Sem ele, não seria possível manter o abastecimento atual.”Ele também destaca que até mesmo com a competição mais acirrada e a queda do poder aquisitivo do brasileiro, o setor se fortaleceu e apresentou crescimento real.

Emerson Destro, presidente da ABAD, atribui a participação expressiva do setor no mercado à força do varejo independente. “É o canal indireto, fortalecido pela indústria,que abastece o pequeno e médio varejo,que está em crescimento. Esse movimento mostra a importância do setor atacadista distribuidor tanto no aspecto econômico quanto no social.”

Destro destaca ainda que a expectativa do setor antes da Covid-19 era positiva, com sinais promissores na economia, principalmente no início de 2020. “As empresas que atendemo varejo alimentar tiveram um primeiro quadrimestre positivo, de crescimento,embaladas pelo otimismo dos primeiros meses do ano e até pelo incremento provocado pela corrida da população aos supermercados no início da pandemia. Mesmo em abril, com o receio de desabastecimento debelado,o aquecimento se manteve”, ressalta.

A expectativa positiva, porém, deve começar a arrefecer no segundo quadrimestre, em razão do aumento do nível de desemprego e, consequentemente, do poder aquisitivo.“Acredito que o consumo será mais racional, mais voltado para produtos essenciais e de primeira necessidade. Já começamos a perceber esse movimento em abril, com uma escolha mais diversificada de marcas e itens de menor valor agregado”, afirma o presidente da ABAD.

Daí para frente, segundo Destro, o desafio das empresas do setor estará na adequação do portfólio oferecido ao varejista, a fim de reduzir o impacto da criseno ambiente de negócios. “Como somos um setor essencial, que vende produtos de primeira necessidade, a expectativa, no fim do ano, é de equilíbrio no faturamento. Mas temos consciência de que é um ano totalmente atípico, e o tamanho do desemprego e, consequentemente, da confiança do consumidor, vão ser determinantes”, conclui.

 

TENDÊNCIAS DE CRESCIMENTO – Nesta edição do Ranking ABAD/Nielsen consolida-se a tendência de maior crescimento das empresas que atuam em apenas um estado. Se o crescimento médio do setor ficou em 4,5% a variação no faturamento das empresas que atuam em apenas um estado foi de 9,9%.

Já em relação ao porte das empresas, em 2019 o crescimento mais acentuado concentrou-se em empresas de porte grande e médio-grande, em todas as regiões do país.“Especialmente as empresas que faturam mais de um bilhão de reais registraram crescimento significativo”, confirma o professor Barrizzelli. Contrariando essa tendência, a região Sudeste é a única que apresenta maior crescimento das empresas pequenas e médias.

Ele credita esse crescimento na região à intensa concentração de grandes redes de varejo, principalmente em pontos estratégicos, com lojas de proximidade de metragem reduzida e logística própria para abastecimento.“Esses players não exercemo mesmo impacto em outras regiões geográficas do país”, explica.

Na análise dos dados das empresas que responderam ao Ranking nas duas últimas edições(2019 e 2020), a região que apresentou melhores resultados foi o Centro-Oeste, com crescimento de 12,1%, seguido do Nordeste, com 11,1%. O Sudeste apresentou crescimento de 8,7%, o Norte evoluiu 8,1% e o Sul cresceu 6,5% no período estudado.

 

PEQUENOS VAREJOS – Os estabelecimentos com até quatro checkouts, o pequeno varejo cliente do atacado distribuidor, venderam R$ 111,1 bilhões, com alta de 4,6% em relação ao ano anterior e são atendidos quase totalmente (95%) pelo setor atacadista e distribuidor. O mesmo patamar de importância do canal indireto é detectado no varejo tradicional, que comercializou R$ 51,4 bilhões e cresceu 3,4%.

Outro levantamento da Nielsen, com base nas vendas em 1,1 milhão de pontos de venda (bares, lojas tradicionais, autosserviços, farmácias e perfumarias), registra a comercialização de 148 categorias de produtos. Nesse caso, destaca-se a importância dos alimentos na composição da cesta pesquisada. Representam 39,5% e são seguidos de perto pelo grupo das bebidas, com 38,7%. Por sua vez, os itens de higiene e beleza têm peso menor, de 14%, mas acima do grupo de produtos de limpeza (6,2%) e de bazar (1,6%).

No entanto, em tempos de combate ao Covid-19, e de quarentena, o consumo pelos brasileiros pode adquirir um contorno inovador, segundo Daniel Asp Souza, gerente de Atendimento de Varejo da Nielsen. “Com a pandemia, veio a retração econômica, que deverá impactar o consumo e mudar os hábitos de compra. Por exemplo, já detectamos maior procura por produtos de limpeza, higiene pessoal e vitamina.” Souza acredita que o consumidor tende a escolher estabelecimentos com bom sortimento e preços competitivos, e que ofereçam serviços como delivery e um ambiente constantemente higienizado e de atendimento com proteção.

 

TOP 10 EMPRESAS POR FATURAMENTO – BRASIL

Classific. Nome Fantasia UF Ano 2020
1 ATACADÃO SP 42.055.209.787
2 MAKRO ATACADISTA SP 6.530.879.582
3 MARTINS MG 5.093.696.061
4 TAMBASA MG 3.474.408.761
5 SERVIMED COMERCIAL SP 2.565.008.823
6 ATAKADAO ATAKAREJO BA 2.079.688.000
7 APOIO MINEIRO/ DECMINAS/ DAMINAS MG 1.745.914.879
8 GAM SC 1.713.554.548
9 DESTRO MACROATACADO PR 1.539.227.736
10 ATACADÃO DIA A DIA – B2M ATACAREJOS DF 1.513.022.575

 

Sobre a ABAD

A ABAD representa nacionalmente um setor que atende diariamente mais de um milhão de pontos de venda em todos os 5.570 municípios brasileiros, sendo responsável por dar capilaridade à distribuição de produtos industrializados essenciais por todo o território nacional e gerando mais de 460 mil empregos diretos e 5 milhões de empregos indiretos nos estabelecimentos varejistas do país.