Text

Estrutura

 

O Setor atacadista distribuidor cresce 0,6% em 2016 e fatura R$ 250,5 bi

Agentes de distribuição respondem hoje por 53,7% de tudo que é movimentado no mercado mercearil nacional; resultado positivo, diante do resultado do PIB, mostra resiliência do setor e embasa otimismo.

A ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) divulga hoje os resultados do Ranking ABAD/Nielsen 2017 – ano base 2016, pesquisa realizada anualmente pela entidade que oferece ao mercado o mais abrangente panorama do segmento atacadista distribuidor nacional, com dados relevantes para todas as empresas que compõem a cadeia de abastecimento no país.

ATACAREJO X HIPERMERCADOS

De acordo com os resultados da pesquisa do Ranking, em 2016 o segmento atacadista distribuidor cresceu 0,6% em termos reais e 6,9% em termos nominais, atingindo faturamento de R$ 250,5 bilhões.

O resultado, embora se aproxime da estabilidade, é considerado satisfatório, tendo em vista que, no ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro sofreu retração de -3,6%.

Com isso, os agentes de distribuição respondem hoje por uma fatia de 53,7% do mercado mercearil nacional, que compreende produtos de uso comum das famílias, como alimentos, bebidas, limpeza, higiene e cuidados pessoais e atingiu a soma de R$ 466,2 bilhões em 2016. É o décimo segundo ano consecutivo em que a participação do atacado distribuidor nesse mercado permanece superior a 50%.

Os números são apurados a partir de dados fornecidos voluntariamente por empresas do setor associadas à ABAD e analisados pela consultoria Nielsen, em parceria com a FIA (Fundação Instituto de Administração).

O faturamento do atacarejo cresceu 11,3% em 2016, consolidando esse modelo como importante canal de abastecimento das famílias neste período de alto desemprego e busca por economia. “É importante frisar que o atacarejo não tira mercado dos demais modelos de negócio do setor, como o distribuidor e o atacadista com entrega”, explica o presidente da ABAD, Emerson Destro.

Em vez disso, segundo dados da Nielsen, o atacarejo tem incomodado principalmente os hipermercados, que tiveram queda de 7,4% em 2016 na comparação com 2015. Hoje, as famílias têm feito as compras de abastecimento (maior volume) no atacarejo em detrimento dos hipermercados. As compras de reposição (semanais ou diárias) continuam sendo feitas no varejo de vizinhança (principal cliente do setor atacadista distribuidor).

“Mesmo o varejo de vizinhança tendo apresentado queda em relação ao ano passado (-5,1%), em razão dos cortes impostos às famílias pela situação econômica, essa tendência de abastecimento permanece

e deve voltar a crescer assim que houver a retomada do crescimento de emprego”, conclui o presidente da entidade.

No Ranking deste ano, o resultado positivo é acompanhado da volta das expectativas de melhoria em faturamento, volume e rentabilidade em todos os modelos de negócios dos agentes de distribuição.

REPRESENTATIVIDADE

O Ranking ABAD/Nielsen 2017 – ano base 2016 contou com a participação de 572 atacadistas e distribuidores de todo o Brasil. Essas empresas representam cerca de um terço do mercado atacadista distribuidor brasileiro, em faturamento.

O segmento responde por 95% do abastecimento dos varejos tradicionais e dos pequenos mercados (1 a 4 checkouts), 85% do abastecimento de bares e 45% do que é fornecido aos varejos de farma-cosméticos.

REGIÕES

Em quantidade de respondentes, o destaque é a participação do Nordeste, com 197 empresas. Já em termos de faturamento, verificamos que o Sudeste corresponde a 38% do setor, seguido em importância pelo Nordeste (25%), pelo Sul (17%), pelo Centro-Oeste (12%) e pelo Norte do país (8%).

Os resultados confirmam a importância da região Sudeste, que concentra a maior parte do PIB nacional; por outro lado, os números da pesquisa indicam que as empresas respondentes no Sudeste e no Nordeste cresceram, respectivamente, 8,6% e 8,0%, abaixo da média nacional (10,1%), enquanto

o maior crescimento esteve nas empresas da região Norte (15%), seguida da região Centro-Oeste (12,6%) e Sul (12.8%).

Outros dados trazidos pelo estudo corroboram a tendência, já verificada nas pesquisas anteriores e que se consolida, de crescimento mais acentuado nas empresas de porte médio, que atendem apenas um estado. Essas são em maior número no estudo e também cresceram 12,1%, acima da média nacional, indicando a descentralização/regionalização do setor.

NÚMEROS DO SETOR

O SEGMENTO  ATACADISTA DISTRIBUIDOR EM 2016

(Crescimento em relação a 2015)

  • Faturamento total: R$ 250,5 bilhões
  • Crescimento real: 0,6% em relação ao ano anterior
  • Crescimento nominal: 6,9% em relação ao ano anterior
  • Participação no mercado mercearil: 53,7%
  • Pontos de venda atendidos: 1.071,671
  • Áreas de armazenagem: 15,1 milhões de m2
  • 360,7 mil Funcionários
  • 58,5 mil Vendedores diretos
  • Representantes Comerciais/Autonômos: 59,6 mil
  • Frota de veículos (próprio+terceirizados): 100 mil

 Fonte: ABAD/Nielsen

SETOR NO BRASIL

Atualmente existem vários modelos de atacado no Brasil, classificados de acordo com a sua forma principal de atendimento aos clientes.  Eles estão identificados no quadro abaixo.

Atacadista generalista com entrega

Compra e vende produtos de fornecedores da Indústria sem vínculo de exclusividade ou de território. Faz a venda ao varejo por meio de visitas de RCAs/vendedores e entrega no estabelecimento do cliente varejista. Atende principalmente o pequeno varejo independente. Tem custos com vendedor e entrega.

Atacadista de autosserviço

Compra e vende produtos de fornecedores da indústria sem vínculo de exclusividade ou de território.Nesta modalidade, o cliente vai até a loja, paga na saída e transporta as compras em veículo próprio.

Não tem custos com vendedor e entrega.

  • CASH & CARRY – Mais de 50% das vendas feitas a pessoa jurídica
  • ATACAREJO – Mais de 50% das vendas feitas a pessoa física
  • BALCÃO – No caso do balcão, o cliente tem a assistência de um atendente.

Distribuidor (especializado ou exclusivo)

Compra e vende produtos de fornecedores da indústria, com os quais possui vínculo de exclusividade, fazendo a venda ao varejo por meio de visitas de RCAs/vendedores e entregando no estabelecimento do cliente varejista. A exclusividade pode ser por:

  • MARCA, EMPRESA OU REGIÃO
  • CATEGORIA DE PRODUTO – Ex.: bebidas, limpeza, higiene pessoal, cosméticos
  • CANAL – Ex.: farma, hotel, restaurante, padaria etc.

Agente de serviços

É remunerado por comissão sobre volume de serviço prestado, em diversas áreas:

  • ÁREA COMERCIAL (BROKER/RCA): Faz a operação comercial e financeira, desempenhando as funções de vendas e cobrança.
  • OPERADOR LOGÍSTICO (CD/FROTA): Realiza funções de distribuição física dos produtos e também de movimentação e armazenagem de cargas para a indústria, que assim não precisa manter depósito na região em que atua seu operador logístico.
  • MERCHANDISING (PROMOTORES): Realiza atividades no ponto de venda (PDV) que visam promover marcas e produtos com o objetivo de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores.

CATEGORIAS EM DESTAQUE

O estudo Categorias em Destaque, realizado em parceria com a Nielsen e divulgado no mês de novembro, analisa as 15 categorias de produtos com melhor desempenho em cerca de 400 mil pontos de venda do pequeno varejo, pesquisados em todo o Brasil.

O levantamento tem o importante papel de orientar atacadistas e varejistas na composição do melhor sortimento e oferecer parâmetros para definição das melhores estratégias de distribuição e exposição de produtos.

O estudo é também bastante interessante para a própria Indústria, que a partir da performance de seus produtos no ponto de venda pode reelaborar suas estratégias comerciais e de marketing.

Conheça o resultado da mais recente pesquisa Categorias em Destaque:
Pesquisa da Nielsen revela as categorias de produtos que mais cresceram no pequeno varejo.

São Paulo, 28 de novembro de 2016 – A Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD) divulgou no Encontro de Valor ABAD 2016 o resultado do estudo “Categorias em Destaque”, elaborado pela Nielsen. O presente levantamento mostra as categorias de produtos que cresceram em volume e valor em cerca de 400 mil pontos de venda do pequeno varejo pesquisados em todo o Brasil. Uma análise relevante de produtos que caminharam na contramão da tendência de queda do consumo em um cenário de dois anos seguidos de retração em volume.

A análise foca o pequeno varejo (tradicional + 1 a 9 checkouts) que responde por 58% do faturamento total dos canais de venda. Desse universo, a pesquisa apontou as 15 categorias que mais cresceram em volume e valor.

O estudo da Nielsen, que compara o primeiro semestre de 2016 com o mesmo período de 2015, mostra que a cesta mercearia salgada é a menos impactada no pequeno varejo, com crescimento de 9,9% em valor, seguida por mercearia doce (+8,7%), higiene e beleza (+7,1%) e limpeza do lar (+5,4%). O crescimento médio das cestas no período foi de 5,1%. Outras cestas ficaram abaixo da média: bebidas alcoólicas (+3,9%), bebidas não alcoólicas (+2,2%), perecíveis (+3,2%) e outros (+1,3%).

Em volume, todas as cestas apresentaram perdas. Na média, tiveram queda de -4,7%. A cesta mercearia salgada novamente foi a menos impactada, com retração de -2,5%. Bons exemplos de crescimento dessa cesta são as categorias molho de tomate, que cresceu +7,2% em valor e +2% em volume, e óleo e azeites, com alta de +19,4% em valor e +2,4% em volume.

Outras categorias que apresentaram crescimento no pequeno varejo em volume e valor foram: repelentes, inseticidas, café, leite em pó, água mineral, margarina, creme de leite, aguardente

de cana, esponja sintética, alimentos para gatos, pudim/gelatina, limpador de banheiro e farinha de trigo.

A pesquisa da Nielsen também mostra que a indústria tem apostado em tamanhos maiores e aumento de ofertas e embalagens promocionais e se adaptado ao novo cenário de consumo que valoriza, sobretudo, o custo-benefício, com crescimento das marcas low price.