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Palavra do Presidente

 

José Bastos Couto
Presidente – 2018 a 2020

A luta da ADERJ pelo fim da Guerra Fiscal

O mundo não está interessado na tempestade que você enfrentou, e sim se conseguiu trazer o barco. Lembro-me como hoje, há exatos 32 anos, quando fundamos a ADERJ-Associação de Atacadistas e Distribuidores do Estado do Rio de Janeiro-. Zarpamos e em muitos períodos destas três décadas, até chegamos a achar que naufragaríamos.

Agir sem pensar é como disparar sem apontar. O advento do GPS é recente, mas tínhamos bússolas, mapas e até o sol, aquele que arranca o suor de quem trabalha. Por tudo que tínhamos hoje temos, embora na verdade tenhamos menos porque entre tantas, a tempestade que enfrentamos agora é sem precedentes, mas ainda não o suficiente para nos afundar.

Estou no meu quinto mandato como presidente da ADERJ, e como um dos fundadores, sou testemunha viva da forma como a qual esta entidade foi alicerçada, e posso garantir que foi pela honestidade de seus propósitos. Desde de 1986, ADERJ prima por esse conceito, partindo da premissa que não vale comprar aqueles que se vendem, ou algo do gênero.

A ADERJ é hoje, e para mim sempre foi, uma entidade tão forte quando alguns a jugavam fraca. Fatos bem recentes relacionados aos problemas econômicos do Estado do Rio de Janeiro ilustram bem essa afirmação, com a ADERJ atuando como figura de proa, quase que no comando dos debates dos grandes problemas econômicos do Rio.

Em economia é fácil explicar o passado, e mais fácil ainda predizer o futuro. Difícil, porém e explicar o presente. Mas somos homens de negócios, daqueles que sabem fazer e prestar contas. Estão, torturamos os números, e os números confessaram que o Estado do Rio é vítima de uma política fiscal perversa que tem feito muitos companheiros abandonar o barco.

A ADERJ não defende privilégios de nenhuma ordem para os empresários fluminenses. Não queremos mais do que merecemos, mas com toda sinceridade, não merecemos ser o alvo de uma guerra fiscal que desarranjou nossa economia, e arrumou a de Estados vizinhos, com governos ilhados pelas águas da passividade.

Os números torturados no bom sentido, revelaram esse quadro. Um dos motivos da anemia crônica da cadeia produtiva fluminense é essa guerra fiscal. Um confronto desigual, onde o Estado também é vítima, mas se socorre aumentando tributos, taxas, alíquotas e tantas coisas outras. Mas agora o Estado também se vê refém dessa guerra. Só quem se sente asfixiado percebe a falta da existência do ar.

Não é que os governos não possam ver a solução. É que eles não conseguem ver o problema. Agora parece que começam a percebê-lo, e por isso acredito que ainda esse ano o Estado do Rio de Janeiro e sua cadeia de produção em todos os níveis voltarão a navegar em águas menos revoltas.

Até aqui estamos tendo que olhar para os dois lados antes de atravessar uma rua de mão única. A insegurança fiscal e tributária, a imprevisibilidade da economia, e a falta de segurança pública nos fez em muitos casos jogar a âncora. Só a mentira tem pressa. A verdade é paciente e aos poucos essa guerra fiscal está sendo desmascarada.

Apesar de no momento anêmico, a economia fluminense é grande com um mercado consumidor invejável. Talvez por isso, tenha sido alvo preferencial desta guerra. Só que atirar em um elefante é fácil, mas remover o seu corpo é impossível sem que ninguém perceba.

Com números, argumentos, ideias, discursos, e todas as ferramentas necessárias temos conseguido sensibilizar as autoridades fiscais do Estado e legislativas, a içarem as velas, mostrando que estamos todos no mesmo barco.

Estamos iniciando mais um mandato de uma ADERJ que tem dezenas de compromissos com suas associadas, mas neste momento o foco é o exposto, ou seja, mudar o rumo da nossa economia, e temos a clara certeza que vamos conseguir, não pensando na bonança, mas sim no fim da tempestade.