ASSÉDIO MORAL ENTRE FUNCIONÁRIOS:COMO O EMPREGADOR PODE PREVENIRCONFLITOS E REDUZIR RISCOS TRABALHISTAS

O ambiente de trabalho deve ser um espaço de respeito, cooperação e convivência profissional. No entanto, conflitos entre colegas, quando ignorados ou tratados com indiferença, podem evoluir para situações mais graves, incluindo a prática de assédio moral.

É importante destacar que o assédio moral não é praticado apenas por superiores hierárquicos. Ele também pode ocorrer entre colegas de trabalho, por meio de comportamentos repetitivos que exponham determinado trabalhador a situações de humilhação, constrangimento, isolamento ou tratamento degradante.

Nesse cenário, a prevenção deve ser uma preocupação constante das empresas.

O PROBLEMA PODE COMEÇAR COM PEQUENAS ATITUDES

Brincadeiras ofensivas, apelidos pejorativos, exclusão proposital de um colega, comentários humilhantes, gritos, ameaças, perseguições ou qualquer tratamento reiterado que cause constrangimento podem comprometer não apenas o bem-estar do trabalhador, mas também o ambiente profissional como um todo.

Muitas vezes, a empresa somente toma conhecimento do problema quando já existe um conflito instalado ou, em situações mais graves, quando recebe uma notificação judicial.

Por isso, prevenir é sempre mais seguro do que remediar.

A IMPORTÂNCIA DE CONVERSAR E ACOMPANHAR OS FUNCIONÁRIOS

Uma das principais medidas preventivas é a manutenção de uma comunicação aberta entre a empresa, seus gestores e seus funcionários.

O empregador deve orientar sua equipe sobre quais comportamentos são aceitáveis no ambiente de trabalho e deixar claro que atitudes de humilhação, perseguição, discriminação ou desrespeito não devem ser toleradas.

Além disso, quando um trabalhador procura a empresa para relatar que está sofrendo abusos ou tratamento inadequado por parte de outro funcionário, a reclamação deve ser escutada com seriedade.

Ignorar uma denúncia, tratar a situação como uma simples “briga pessoal” ou deixar o problema sem qualquer apuração pode permitir que a situação se agrave.

Ouvir não significa concluir automaticamente que houve assédio ou punir alguém sem investigação. Significa, antes de tudo, acolher a informação, conversar com os envolvidos, buscar compreender os fatos e adotar as providências necessárias para evitar que o problema continue ou se agrave.

A EMPRESA DEVE AGIR PREVENTIVAMENTE

Algumas medidas podem contribuir significativamente para a prevenção de conflitos e situações de assédio moral:

  • Promover conversas periódicas com os funcionários sobre respeito e convivência profissional;
  • Orientar gestores e líderes para identificar conflitos internos;
  • Criar canais ou procedimentos para o recebimento de reclamações;
  • Ouvir o trabalhador que relata estar sofrendo tratamento abusivo;
  • Conversar com os envolvidos e, quando necessário, realizar uma apuração interna;
  • Registrar as providências adotadas pela empresa;
  • Aplicar medidas disciplinares proporcionais quando constatada conduta inadequada;
  • Deixar claro que comportamentos ofensivos, humilhantes ou persecutórios não fazem parte de um ambiente profissional saudável.

A atuação preventiva também demonstra que a empresa não permanece inerte diante de situações que chegam ao seu conhecimento.

O SILÊNCIO PODE AUMENTAR O RISCO JURÍDICO

Quando um empregado relata que está sofrendo perseguições, humilhações ou abusos praticados por outro colega, a empresa deve estar atenta.

Caso o empregador tenha conhecimento da situação e simplesmente não adote qualquer providência, o problema poderá se prolongar e gerar consequências mais graves.

Dependendo das circunstâncias do caso concreto, o conflito poderá resultar em uma ação trabalhista, com pedidos de indenização por danos morais e discussão sobre eventual responsabilidade da empresa.

É importante compreender que a empresa não deve esperar o ajuizamento de uma ação para somente então investigar o que estava acontecendo dentro do ambiente de trabalho.

A adoção de medidas preventivas, a escuta das reclamações e a apuração adequada dos fatos podem evitar que conflitos cotidianos evoluam para situações mais graves.

PREVENÇÃO TAMBÉM É PROTEÇÃO PARA A EMPRESA

Investir em um ambiente de trabalho respeitoso não significa apenas proteger os empregados. É também uma forma de reduzir riscos para o próprio empregador.

Uma empresa que possui orientação interna, mantém diálogo com sua equipe, recebe reclamações, apura situações de possível abuso e toma providências quando necessário demonstra uma postura ativa na preservação de um ambiente profissional saudável.

Por outro lado, a ausência de atenção aos conflitos internos pode permitir que situações de desrespeito se repitam e se agravem, aumentando o risco de afastamentos, perda de produtividade, rotatividade de funcionários e, eventualmente, demandas judiciais.

CONCLUSÃO

O empregador deve estar atento ao que acontece dentro do ambiente de trabalho. Nem toda discussão entre funcionários configura assédio moral, mas toda reclamação séria sobre humilhação, perseguição ou tratamento abusivo merece ser ouvida e analisada.

Conversar com os funcionários, manter canais de comunicação, registrar ocorrências e adotar providências preventivas são atitudes importantes para construir um ambiente de trabalho mais saudável.

A melhor estratégia é não esperar que o problema se transforme em uma ação judicial.

Prevenir conflitos, ouvir os funcionários e agir diante de possíveis abusos é uma forma de proteger as pessoas, preservar o ambiente de trabalho e reduzir riscos para a empresa.

MACHADO FERREIRA ADVOGADOS

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