{"id":3935,"date":"2020-09-21T11:30:34","date_gmt":"2020-09-21T14:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/?post_type=publicacoes&#038;p=3935"},"modified":"2024-08-01T20:34:07","modified_gmt":"2024-08-01T23:34:07","slug":"fundacao-dom-cabral-quer-capacitar-um-milhao-de-empreendedores-populares-no-pais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/fundacao-dom-cabral-quer-capacitar-um-milhao-de-empreendedores-populares-no-pais\/","title":{"rendered":"Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral quer capacitar um milh\u00e3o de empreendedores populares no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Seja na produ\u00e7\u00e3o de marmitas, m\u00e1scaras ou em uma loja virtual de roupas, o pequeno neg\u00f3cio tem se transformado em um motor da economia brasileira. E para impulsionar ainda mais essa gera\u00e7\u00e3o de renda e riqueza, principalmente nas favelas e aglomerados, a Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral quer capacitar um milh\u00e3o de empreendedores populares no pa\u00eds. Esse foi um dos temas tratados pelo presidente executivo da entidade, Antonio Batista da Silva Junior, na Live do Tempo desta quarta-feira (16). O programa, batizado de Pra Frente, ser\u00e1 realizado de forma remota (mais informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis na p\u00e1gina\u00a0<a href=\"https:\/\/prafrente.fdc.org.br\/\">prafrente.fdc.org.br<\/a>). Confira abaixo a entrevista completa:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral foi afetada em meio \u00e0 pandemia e quais os setores mais impactados nesse per\u00edodo?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>A pandemia afetou seriamente a economia e costumo dizer que, juntamente com setor a\u00e9reo e de entretenimento, o setor de educa\u00e7\u00e3o foi um dos mais afetados com o fechamento das atividades. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o foi diferente com a educa\u00e7\u00e3o executiva e, na Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, tivemos que interromper as atividades presenciais. Por conta disso, lan\u00e7amos a\u00e7\u00f5es em tr\u00eas grandes campos. O primeiro grande campo foi em rela\u00e7\u00e3o aos nossos colaboradores. Para garantir a integridade de todos, incluindo parceiros, clientes e professores. H\u00e1 seis meses, estamos trabalhando a dist\u00e2ncia, em casa, e fazendo a maioria dos programas ou aqueles que eles s\u00e3o poss\u00edveis de serem feitos atrav\u00e9s do home office. Um segundo grande movimento \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos nossos clientes e parceiros. Seguimos com muitas proximidade e disponibilizando um conjunto de solu\u00e7\u00f5es educacionais que possam ajud\u00e1-los nesse momento de crise, incluindo nossas metodologias, ferramentas de gest\u00e3o e conhecimento. Colocamos nossos professores a servi\u00e7o da sociedade para apoi\u00e1-los nesse momento dif\u00edcil. Por \u00faltimo, um movimento voltado para a sociedade em geral. Desenvolvemos no campo empreendedorismo, sobretudo desenvolvendo uma solu\u00e7\u00e3o que tem por objetivo capacitar um milh\u00e3o de empreendedores populares ao longo dos pr\u00f3ximos meses, porque a gente sabe que pandemia teve um impacto muito grande na quest\u00e3o da sa\u00fade. Por isso, precisa retomar atividade econ\u00f4mica de uma maneira ativa no cen\u00e1rio p\u00f3s-pandemia. Ent\u00e3o essa iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral tem por objetivo apoiar os pequenos empreendedores para gerar renda, trabalho e um modelo de subsist\u00eancia que ser\u00e1 muito necess\u00e1rio ao longo dos pr\u00f3ximos meses. Tem sido um momento de muito aprendizado, em um momento em que a educa\u00e7\u00e3o vem sendo desafiada a se reinventar com novas pr\u00e1ticas e novos processos.<\/p>\n<p><strong>A funda\u00e7\u00e3o \u00e9 procurada por grandes executivos, gestores e empres\u00e1rios e, por isso, podemos consider\u00e1-la como um term\u00f4metro da economia, j\u00e1 que quando tem grande procura de capacita\u00e7\u00e3o, indica que h\u00e1 planos. Como que est\u00e1 essa procura agora?<\/strong><\/p>\n<p>Muita gente tem discutido a quest\u00e3o da pandemia e das suas consequ\u00eancias, se elas ser\u00e3o revolucion\u00e1rias ou que restar\u00e1 depois da doen\u00e7a. Temos feito uma reflex\u00e3o muito importante de que a pandemia \u00e9 um gatilho que est\u00e1 acelerando as transforma\u00e7\u00f5es que o mundo j\u00e1 passava, inclusive entre as empresas e as carreiras. A humanidade tem muitos pontos positivos: conseguimos construir um progresso para as popula\u00e7\u00f5es ao longo dos \u00faltimos 500 anos, especialmente agora, em que conseguimos de uma certa maneira combater a doen\u00e7a, fome, viol\u00eancia, mas ao mesmo tempo convivemos com cen\u00e1rio de intoler\u00e2ncia, incapacidade de cria\u00e7\u00e3o de bom senso e do di\u00e1logo. O Brasil tamb\u00e9m tem paradoxos muito particulares. \u00c9 um pa\u00eds muito avan\u00e7ado, estamos entre as dez maiores economias do mundo, costumamos celebrar pouco isso, mas \u00e9 um fato not\u00e1vel. Temos uma democracia s\u00f3lida, imprensa livre, institui\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas e capacidade empresarial pujante, mas carecemos ainda de uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa da sociedade no \u00e2mbito pol\u00edtico e precisamos, sobretudo, superar uma desigualdade social que constru\u00edmos ao longo da nossa hist\u00f3ria que nos coloca entre os 10 piores pa\u00edses. Essa quest\u00e3o \u00e9 criminosa e a nossa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode mais se suportar essa quest\u00e3o. Digo isso porque as empresas do mundo corporativo est\u00e3o inseridas em todo esse contexto e tamb\u00e9m v\u00eam passando por transforma\u00e7\u00f5es. Acho que haver\u00e1 haver\u00e1 uma nova discuss\u00e3o sobre o novo papel das empresas e dos executivos nesse novo contexto.<\/p>\n<p><strong>E qual seria esse novo papel das empresas e organiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Quando eu estava na gradua\u00e7\u00e3o, os manuais de administra\u00e7\u00e3o e economia sempre colocavam a organiza\u00e7\u00e3o como um agente de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Essa \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o t\u00edpica do s\u00e9culo 20. A organiza\u00e7\u00e3o vem cada vez mais se transformando em um agente de promo\u00e7\u00e3o do bem-estar social, porque esse \u00e9 um papel novo, at\u00e9 porque os governos, de uma maneira geral, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de entregar o que o que \u00e9 peculiarmente exigido. Com isso, as empresas, pelo capital de talento e conhecimento que t\u00eam, est\u00e3o ocupando naturalmente esse papel. A fronteira entre o p\u00fablico e o privado est\u00e1 caindo de uma maneira significativa. Eu acredito que no s\u00e9culo 21 s\u00f3 sobreviver\u00e3o as empresas e organiza\u00e7\u00f5es que a sociedade conferir legitimidade para operar e existir. No mundo de prop\u00f3sitos como que a gente est\u00e1 vivendo, a empresa do futuro \u00e9 aquela que souber capitalizar em cima do papel social que ela tem a contribuir. Tem um artigo que foi muito popular no s\u00e9culo 20, que chamava Miopia em Marketing. Neste artigo, o professor pontua que as empresas que sobreviveriam ao s\u00e9culo seriam aquelas que tivessem uma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s brutais transforma\u00e7\u00f5es do seu mercado consumidor. Ele citava como exemplo a entrada das m\u00e1quinas a vapor, a ind\u00fastria dos chap\u00e9us e de empres\u00e1rios que n\u00e3o sabiam das novas demandas do consumidor no mercado. Caso esse artigo fosse escrito hoje, provavelmente estaria como miopia em marketing, mas como sou mais uma miopia social. As empresas t\u00eam que entender as brutais transforma\u00e7\u00f5es que est\u00e3o passando na sociedade e em seus stakeholders. Isso n\u00e3o vem do nada, as empresas at\u00e9 ent\u00e3o eram movidas pelo retorno do resultado, predominantemente financeiro, e s\u00f3. Isso est\u00e1 mudando n\u00e3o \u00e9 porque estamos cansados de medir as empresas do ponto de vista financeiro, mas \u00e9 que novas ideias est\u00e3o chegando na sociedade. Um exemplo \u00e9 a ideia da justi\u00e7a, que \u00e9 muito poderosa. O curso mais visitado em Harvard \u00e9 do professor Michael Sandel, que \u00e9 pr\u00eamio Nobel, sobre curso de justi\u00e7a. Estamos resgatando com muita for\u00e7a no s\u00e9culo 21 os ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, de 300 anos. Talvez agora consigamos definitivamente praticar os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Esse conceito \u00e9 muito forte. Quando dirijo at\u00e9 o meu trabalho,\u00a0 tem uma favela de um lado e um condom\u00ednio de luxo do outro. Isso \u00e9 inaceit\u00e1vel nos dias de hoje, essa diferen\u00e7a social. Talvez por conta do fen\u00f4meno da urbaniza\u00e7\u00e3o, com os adensamentos populacionais passamos a vivenciar nas cidades. Isso acelerou essa percep\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a. E tem outro conceito do compartilhamento, que est\u00e1 chegando na sociedade com for\u00e7a. \u00c9 o fato de n\u00e3o precisar ter a posse para conseguir o acesso. Tem toda uma economia de compartilhamento de transporte, artigos, que est\u00e1 sendo inventado a partir de conceitos como o da desmaterializa\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o preciso ter o produto se ele \u00e9 livre.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas t\u00eam essa caracter\u00edstica de acompanhar os novos l\u00edderes que est\u00e3o surgindo no mundo dos neg\u00f3cios. Acredita que eles possuem essa vis\u00e3o de compartilhamento e da igualdade?<\/strong><\/p>\n<p>Eu vejo uma transforma\u00e7\u00e3o sim e tenho uma vis\u00e3o muito positiva sobre isso. S\u00e3o transforma\u00e7\u00f5es em curso e as mudan\u00e7as n\u00e3o se d\u00e3o da noite para o dia. As mudan\u00e7as mais estruturais s\u00e3o como tijolinhos, que vamos colocando um a um e quando v\u00ea tem uma parede de um pr\u00e9dio constru\u00eddo. Acho que existe uma gera\u00e7\u00e3o nova de executivos que est\u00e3o muito mobilizados por essa ideia da transforma\u00e7\u00e3o, do novo papel dos neg\u00f3cios. Como eu falei, essa cren\u00e7a de que a gente precisa construir um mundo mais sustent\u00e1vel, \u00e9 uma palavra um pouco desgastada e abstrata, mas ela carrega o sentimento de que temos que olhar para o futuro e n\u00e3o pensar s\u00f3 no curto prazo. Temos que construir um mundo melhor e organiza\u00e7\u00f5es melhores que partem de uma forma mais positiva na sociedade. As empresas n\u00e3o podem ser mais s\u00f3 escravas do resultado, precisam ser agentes do progresso, e ter a capacidade de integr\u00e1-lo ao lucro. Esse \u00e9 um papel fundamental e executivo precisa construir um legado, n\u00e3o apenas entregar resultados para o qual ele est\u00e1 preparado. O lucro \u00e9 muito importante, \u00e9 oxig\u00eanio do nosso sistema, mas precisa ir al\u00e9m disto, com capacidade de construir legados para a sociedade e o seu grupo social. Isso vai ser cada vez mais demandado ele. Tive uma oportunidade de entrevistar nos \u00faltimos dois anos mais de 200 CEOs de empresas no Brasil e multinacionais. Percebi que est\u00e3o preocupados com essas transforma\u00e7\u00f5es, sobretudo com as novas gera\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o motivadas por prop\u00f3sitos, em ir al\u00e9m de gerar 5% de lucratividade a mais para empresa. Ningu\u00e9m consegue tirar um jovem da cama para trabalhar apenas por isso, voc\u00ea precisa de um sonho. Tem um executivo que nos procurou h\u00e1 um tempo atr\u00e1s e falou exatamente isso, que precisa de um sonho para mobilizar o time dele em torno de um prop\u00f3sito. N\u00e3o consigo mais mobilizar s\u00f3 para aumentar o resultado e o faturamento. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno novo e muito importante, porque estamos com muitas transforma\u00e7\u00f5es em curso na nossa sociedade. Se a gente tomar por exemplo os dois pilares fundadores da infraestrutura do mundo ocidental, que s\u00e3o o pol\u00edtico e o econ\u00f4mico. No pilar da pol\u00edtica, temos a democracia, e no econ\u00f4mico, o capitalismo. O pilar pol\u00edtico est\u00e1 em pleno choque em rela\u00e7\u00e3o ao que qual conhecemos. A sociedade tem uma sensa\u00e7\u00e3o de que aqueles que est\u00e3o na pol\u00edtica n\u00e3o nos representa de fato. N\u00e3o foi inventado nenhum sistema pol\u00edtico melhor que a democracia, mas ela precisa evoluir, assim como o capitalismo. O capitalismo trouxe um progresso material, um progresso social muito grande para todo mundo. O mundo hoje \u00e9 muito melhor, materialmente falando e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vidas, do que era h\u00e1 100 anos. O capitalismo tamb\u00e9m tem dois mecanismos fundamentais que ele trouxe. O primeiro \u00e9 o de troca, o pre\u00e7o que regula a troca, ele atribui valor a produtos e servi\u00e7os e consegui trocar com mais efici\u00eancia. E tamb\u00e9m trouxe a divis\u00e3o do trabalho, a especializa\u00e7\u00e3o, que gera mais competitividade, capacidade de produ\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em massa, al\u00e9m do acesso. Por\u00e9m, quanto mais a gente cresce, maior \u00e9 o fosso que separa o topo da base da pir\u00e2mide. \u00c9 uma desigualdade social criminosa e precisa ser eliminada.<\/p>\n<p><strong>A educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira sofre com a falta de qualidade e a inefici\u00eancia para formar os alunos. Esse \u00e9 um problema que afeta a economia?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que esse n\u00e3o \u00e9 um problema n\u00e3o, esse \u00e9 o problema. O encaminhamento da solu\u00e7\u00e3o para o nosso pa\u00eds est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o. Falar de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 falar do capital humano. Esse termo mostra que s\u00f3 atrav\u00e9s do capital humano voc\u00ea consegue colocar imagina\u00e7\u00e3o ao empreendimento. Sem o capital humano, voc\u00ea n\u00e3o consegue criar. Seja do mundo do algoritmo ou da intelig\u00eancia artificial, tem algu\u00e9m por tr\u00e1s. E isso \u00e9 proporcionado pela educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 revolucion\u00e1ria. Aquilo que voc\u00ea aprende aquilo ningu\u00e9m te tira. \u00c9 seu e vai morrer com ele. Ent\u00e3o \u00e9 por a\u00ed que a gente tem que ir atacar. Nos descuidamos muito dessa quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no Brasil. E s\u00f3 com a educa\u00e7\u00e3o de uma maneira inclusiva que vai ocorrer a mobilidade social, coisas que ainda n\u00e3o conseguimos. Nos \u00faltimos 30 anos, tivemos mecanismos que produziram ascens\u00e3o e mobilidade social, como a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que hoje nesse se discute muito a necessidade de reform\u00e1-la. E \u00e9 preciso de fato, mas ela foi um mecanismo fundamental de inclus\u00e3o social com as regras que ela criou. Tivemos um segundo fen\u00f4meno, que foi o controle da infla\u00e7\u00e3o. A infla\u00e7\u00e3o alta \u00e9 produtora de desigualdade e temos que ter muita aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o deix\u00e1-la escapar. No terceiro mecanismo, que foi o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o, o que tirou muita gente da pobreza tanto, na R\u00fassia, na China, no M\u00e9xico, na Indon\u00e9sia e no Brasil. E n\u00f3s tivemos todos os mecanismos de transfer\u00eancia de renda, entre eles o mais famoso, que \u00e9 o Bolsa Fam\u00edlia. Mas nenhum deles foi suficiente para, de maneira sustent\u00e1vel, promover uma redu\u00e7\u00e3o da desigualdade, porque a \u00fanica forma estruturada e capaz de produzir de uma maneira longeva essa mudan\u00e7a \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. E sempre descuidamos disso no Brasil. Conseguimos colocar quase 100% das crian\u00e7as na escola apenas no final do s\u00e9culo 20. A Argentina, por exemplo, conseguiu fazer isso no final do s\u00e9culo 19. Nos anos 1950, \u00e9ramos 90 milh\u00f5es de habitantes e apenas 40% das crian\u00e7as iam para escola. No final do s\u00e9culo 20 \u00e9ramos, 200 milh\u00f5es de habitantes e 100% das crian\u00e7as iam para a escola, s\u00f3 que hoje a qualidade do ensino \u00e9 question\u00e1vel. Mesmo assim, conseguimos resolver esse problema de abrir vagas e colocar todas as crian\u00e7as na escola. Agora agenda \u00e9 da qualidade.<\/p>\n<p><strong>O que a Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral est\u00e1 fazendo para ajudar o pa\u00eds a alcan\u00e7ar essa inclus\u00e3o e colocar o pequeno empreendedor no mercado?<\/strong><\/p>\n<p>Temos uma atua\u00e7\u00e3o de 44 anos em educa\u00e7\u00e3o executiva. A educa\u00e7\u00e3o executiva, naturalmente, trabalha com seguimento no topo da pir\u00e2mide, com grandes corpora\u00e7\u00f5es, empresas e executivos. Sentimos a necessidade de mover a nossa a\u00e7\u00e3o para base da pir\u00e2mide. A pandemia nos ajudou a acelerar nossa a\u00e7\u00e3o nesse Campo. Uma delas \u00e9 o programa Para Frente, que tem por objetivo capacitar um milh\u00e3o de empreendedores populares que n\u00e3o tem acesso ao ensino formal e ao ensino executivo. Ent\u00e3o, essa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que queremos levar com muita \u00eanfase, com muita for\u00e7a, porque acreditamos que uma das sa\u00eddas est\u00e1 a\u00ed. Temos milh\u00f5es de empreendedores no Brasil, que podemos ajudar a conseguir se formalizarem e gerar renda. O brasileiro tem uma capacidade criativa e de trabalho muito grande. Queremos trazer o mundo corporativo e parceiros para essa ideia, al\u00e9m de governos. A nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 entrar na comunidade, j\u00e1 estamos fazendo isso, para levar o conhecimento. Uma outra a\u00e7\u00e3o que estamos fazendo \u00e9 voltada para as organiza\u00e7\u00f5es sociais, ela j\u00e1 ocorre h\u00e1 algum tempo. Existem muitos empreendedores e ONGs que t\u00eam uma paix\u00e3o grande pelas quest\u00f5es sociais, mas muitas vezes n\u00e3o tem recursos para implementar as suas ideias. \u00c9 um trabalho muito interessante e com isso a escola de neg\u00f3cios pode cumprir melhor o seu papel, que \u00e9 o papel de trabalhar n\u00e3o s\u00f3 para o setor produtivo, mas tamb\u00e9m para os despossu\u00eddos, aqueles que n\u00e3o t\u00eam capacidade do acesso.<\/p>\n<p><strong>Como as pessoas interessadas podem participar do curso para empreendedores populares?<\/strong><\/p>\n<p>O curso tem alguns pilares. Temos uma parte conceitual, voltada a uma forma\u00e7\u00e3o com \u00eanfase na dimens\u00e3o econ\u00f4mica e financeira do pequeno neg\u00f3cio, separa\u00e7\u00e3o do dinheiro pessoal da empresa, por exemplo. S\u00e3o ferramentas muito simples e b\u00e1sicas, mas muito poderosas. \u00c9 um curso online, que \u00e9 acess\u00edvel por telefone, celular, tablet. Um segundo pilar \u00e9 o da mentoria. Teremos volunt\u00e1rios, que s\u00e3o executivos que j\u00e1 passaram pelos nossos cursos, que v\u00e3o apoiar individualmente as pessoas. Essa mentoria para o neg\u00f3cio vai ter um componente muito forte na orienta\u00e7\u00e3o emocional do pequeno empreendedor, voltada inclusive para estimular a autoestima e refor\u00e7o positivo da capacidade dele. E n\u00f3s temos tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia que \u00e9 articular um acesso melhor com sistema de fornecedores e clientes para o pequeno neg\u00f3cio, construir na comunidade um cluster em uma capacidade de reunir e estimar aquela regi\u00e3o. Estamos trabalhando tamb\u00e9m com o microcr\u00e9dito, porque o dinheiro \u00e9 oxig\u00eanio para fazer o neg\u00f3cio girar e virar. As ferramentas de microcr\u00e9dito s\u00e3o muito poderosos para apoiar o microempreendedor nos neg\u00f3cios. Esse programa vai ser veiculado de v\u00e1rias formas, vamos procurar algumas associa\u00e7\u00f5es em aglomerados e favelas. J\u00e1 estamos em curso em Parais\u00f3polis, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 um curso para o Brasil inteiro. Aqui Belo Horizonte, no aglomerado da Serra, j\u00e1 estamos atuando no campo de cozinha e de fabrica\u00e7\u00e3o de marmitas e tecidos, principalmente com essa quest\u00e3o de fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras, m\u00e1quinas de costuras para gerar renda e recursos. Vamos procurar empresas tamb\u00e9m que tenham na sua cadeia produtiva contatos com uma legi\u00e3o de microempreendedores e, em combina\u00e7\u00e3o com eles, abordar esse conhecimento. Esse \u00e9 um programa que eu tenho convic\u00e7\u00e3o e otimismo de que vamos conseguir levar o conhecimento, que at\u00e9 ent\u00e3o a maioria das pessoas n\u00e3o teve acesso de uma maneira muito ampla.<\/p>\n<p><strong>Em 2012, quando o crescimento econ\u00f4mico era grande, o Brasil convivia com o medo do apag\u00e3o de m\u00e3o de obra. Depois que veio a crise e a instabilidade pol\u00edtica, a partir de 2015, foi um tema que deixou de ser discutido. Esse problema pode voltar quando o crescimento for retomado?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Esse ponto \u00e9 muito importante.Estamos vivendo uma transforma\u00e7\u00e3o na economia muito significativa e a tecnologia est\u00e1 acelerando a necessidade de requalifica\u00e7\u00e3o das habilidades dos trabalhadores. Novas fun\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo criadas e isso pode gerar um Apartheid funcional no pa\u00eds, com as pessoas sem capacidade para as profiss\u00f5es do futuro. Esse \u00e9 um risco que a tecnologia traz, ent\u00e3o \u00e9 preciso investir maci\u00e7amente nessa requalifica\u00e7\u00e3o e esse \u00e9 um esfor\u00e7o de todos, tanto dos governos e quanto das empresas. Eu me lembro da d\u00e9cada de 1980, quando t\u00ednhamos um alto n\u00edvel de analfabetismo no mercado de trabalho. Era muito comum as empresas terem taxas elevadas de colaboradores que n\u00e3o tinham o m\u00ednimo de alfabetiza\u00e7\u00e3o e n\u00f3s acabamos com esse problema de uma maneira geral. Foi uma transi\u00e7\u00e3o entre 10 a 15 anos, ent\u00e3o esse momento atual \u00e9 como o l\u00e1 de tr\u00e1s. Agora \u00e9 uma alfabetiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica a precisamos trabalhar juntos para resolver esse problema. Eu sempre digo que o tamanho da empresa \u00e9 o tamanho da cabe\u00e7a dos seus colaboradores, portanto este \u00e9 o melhor investimento que precisa ser feito. At\u00e9 porque o conhecimento \u00e9 um ativo perec\u00edvel nesse mundo que est\u00e1 mudando tanto, o que a gente aprendeu ali atr\u00e1s ele tem pouca valia na frente. O que eu aprendi na faculdade talvez eu j\u00e1 n\u00e3o aplique mais, preciso de um outro conhecimento. A Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral est\u00e1 apostando no ponto de vista educa\u00e7\u00e3o em duas tend\u00eancias de futuro que vieram para ficar. Uma primeira, que se chama em ingl\u00eas de Life long learning, que \u00e9 o aprendizado ao longo da vida, sobretudo agora que estamos vivendo mais tempo e aposentando cedo. Precisamos continuar nos requalificando, tirar uma semana do ano para aprender uma habilidade nova e um conhecimento, que seja ligado ou n\u00e3o ao trabalho. Os nossos programas procuram acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da pessoa ao longo da vida dela, da sua juventude at\u00e9 a aposentadoria. Acho importante aproveitar a experi\u00eancia e a S\u00eanior das pessoas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>A Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral desenvolve um estudo sobre a longevidade da m\u00e3o de obra. Quais os objetivos desta pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s temos uma linha de pesquisa que est\u00e1 crescendo e vai se transformar em um centro de conhecimento tamb\u00e9m, que est\u00e1 ligada a longevidade. Esse \u00e9 o fen\u00f4meno e os executivos das empresas est\u00e3o se aposentando ainda jovens, com uma expectativa de vida longa e capacidade de contribui\u00e7\u00e3o muito grande, um super conhecimento acumulado que \u00e9 desperdi\u00e7ado se n\u00e3o fizer nada. E n\u00f3s estamos em um processo de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o muito acelerado no Brasil. Temos uma gera\u00e7\u00e3o de jovens entre 15 e 24 anos, em torno de 40 milh\u00f5es de habitantes. Esses s\u00e3o \u00faltimos 40 milh\u00f5es de jovens que vamos ter, a \u00faltima gera\u00e7\u00e3o que teremos, da\u00ed para frente s\u00f3 vamos reduzir esse tamanho da popula\u00e7\u00e3o de jovens no Brasil. \u00c9 um envelhecimento que traz repercuss\u00f5es na Previd\u00eancia, em produtos na sa\u00fade, ent\u00e3o \u00e9 disso que as nossas pesquisas est\u00e3o tratando para transformar isso em programas de educa\u00e7\u00e3o, levar esses estudos para as autoridades competentes. Essa \u00e9 uma megatend\u00eancia mundial que a gente precisa tomar conta.<\/p>\n<p><strong>O que o governo pode fazer para criar um melhor ambiente para as empresas? Muito se fala sobre a desonera\u00e7\u00e3o da folha, reforma tribut\u00e1ria e diminuir o tamanho do Estado. S\u00e3o pontos que v\u00e3o gerar mais desenvolvimento e gera\u00e7\u00e3o de emprego?<\/strong><\/p>\n<p>Para criar um ambiente favor\u00e1vel aos neg\u00f3cios, acho que o governo precisa soltar a economia e impulsionar as empresas. O talento criativo no Brasil \u00e9 muito grande e \u00e9 capaz de fazer essa economia destravar. Estamos h\u00e1 tantos anos com crescimentos irris\u00f3rios, embora tenhamos sido um dos pa\u00edses que mais cresceu do mundo do s\u00e9culo 20, por incr\u00edvel que isso pare\u00e7a e das duas d\u00e9cadas perdidas. Quem sabe isso n\u00e3o se repete no s\u00e9culo 21 e a gente consiga crescer e incluir. S\u00e3o duas palavras important\u00edssimas na nossa sociedade. Precisamos destravar o pa\u00eds, h\u00e1 30 anos que as reformas n\u00e3o foram implementadas e a gente precisa, como eu falei, refundar o nosso estado. A Reforma da Previd\u00eancia foi muito importante e eu digo que ela est\u00e1 ligada ao ciclo de envelhecimento do pa\u00eds. Por isso, \u00e9 preciso ser revisto a cada dez anos. N\u00e3o \u00e9 porque fizemos desta vez que estamos resolvidos, precisamos fazer mini reformas a cada dez anos. Todos os pa\u00edses fazem isso. Precisamos da reforma administrativa que est\u00e1 em discuss\u00e3o, precisamos reduzir o tamanho do estado brasileiro, que tem um papel regulador e controlador. Ele precisa regular, controlar e fiscalizar, mas ele n\u00e3o precisa estar em campos da atividade empresarial. Precisamos de uma reforma tribut\u00e1ria para estimular a produ\u00e7\u00e3o e o consumo, o investimento. Precisamos refor\u00e7ar o ensino fundamental e o ensino b\u00e1sico no pa\u00eds. O governo precisa ser estimulado e cobrado para poder avan\u00e7ar para a economia melhor.<\/p>\n<p>FONTE: Portal O Tempo<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da entidade, Antonio Batista da Silva, disse que programa vai oferecer ensino gratuito para comunidades e favelas com o objetivo de impulsionar o pequeno neg\u00f3cio<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":3936,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-3935","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3935"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3935"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9525,"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3935\/revisions\/9525"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aderj.com.br\/v1.0-teste2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}